o leve

sobre o leve

pequeno inventário de excertos

o leve nasceu porque era a hora.
porque um dia a gente inventou a aulafesta e ela nos inventou de volta.
porque danú estava ali para um encontro extraordinário.
porque bebel viu tudo e soube o que fazer.
porque parar de fumar destapou a minha boca.

tatá

o leve insurgiu porque teve toca.
porque uma noite nos soubemos hágentes no subsolo.
porque tatá estava lá lado-alada.
porque dizia a boia: só a arte salva.
porque o leve fez (a gente) levada.

danú

aulafesta sf (2011) método de ensino de percussão brasileira que toma a festa como via privilegiada para o acesso ao prazer de tocar um instrumento, entendido como bem supremo, finalidade e fundamento da experiência musical coletiva. a festa, com sua quebra de normas e produção de excessos, permite o rompimento momentâneo de papéis estereotipados, como os de mestre e aprendiz, facilitando o surgimento de um coletivo que toca e de uma massa sonora capaz de abrigar quaisquer arestas, porque amparada por um eixo rítmico estável, sustentado por quem ensina. esta dinâmica permite a quem aprende experimentar o prazer e a alegria de fazer música imediata e coletivamente, sem que domine a técnica. é esta alegria que mediará, segundo o método, o aprendizado do instrumento de percussão. neste contexto, a técnica é tomada como meio para a produção e matização de prazeres e afetos coletivos. a prática individual (obrigatória), será, desse modo, sempre considerada incompleta. fazer junto, nos diz o método. não se tratando de simulacro, mas de festa perfeita, uma aulafesta é sempre original, imprevisível e arriscada. o primeiro registro de uma aulafesta foi no ano de 2011, no estúdio do cantor, compositor e percussionista george lacerda (brasília, brasil).

tatá

a aulafesta surgiu no estúdio de george lacerda no ano de 2011 (brasília – df). em cerca de três anos passaram por lá, deliciosamente, para fazer música, aprender percussão e festar: adriana borges, adriano sargaço, ana cláudia nolasco, cacá pereira, cacai nunes, carlos magno silveira, cris moreira, daniela cadena, danielli jatobá, danú gontijo, débora amorim, dudu 7 cordas, dudu maia, fernando frança, flavinha (ana flávia almeida), flávia timm, george lacerda, hudson bonfim, humberto porto, ivanildo garrincha, jana, joana abreu, juliana nogueira, juliano da rede, leander mota, lena tosta, léo (leonardo reis), litieh pacelle, marcelo bosi, marcelo lima, márcio marinho, mariana baeta, marquinhos moraes, mônia silvestrin, pedro tupã, pedro vasconcellos, pilar benitez, rita segato, rodrigo severo, sabrina milani, sérgio boré, simone garcia, suzane ferreira, tatá weber, ted falcon, thiago cunha, tiago bordélia, tiago moria, tukuta gordillo, vavá afiouni, wilson bebel, zé galinha e outras ternurinhas.

tatá e danú

leve é quando o canto toma o ar, e pega no toque, pega na boca, pega no pé. pega tatá, pega bebel, pega titi, pega dudu, pega digo, pega mô, pega lena tosta, pega hágente que se toca e fica prenhe de metáfora de ar, su-ar, march-ar, levit-ar…

danú

se ao invés de pensarmos a história da literatura como uma história de autorxs, pensássemos a escritura como a história do espírito? é o que inquire jorge luís borges em flor de coleridge. cita shelley, que em 1821, disse: “todos os poemas do passado, do presente e do porvir são episódios ou fragmentos de um só poema infinito, erigido por todos os [e todas as] poetas da orbe”. como alguém que compõe, me pego confabulando o que seria a história do espírito da música… gosto de pensar que somos meros canais, o que faz sempre sentido pela intimidade com que acolho toadas, muitas catadas no vento.

danú

o leve é um psycho-jazz rural para acarinhar a alma numa só pisada.

tatá, danú e chipe